– À querida Silvana Rabello

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Neste fim de semana, perdemos uma pessoa muito querida. Silvana Rabello, além de ser  uma referência no meio psicanalítico e clínico, tinha uma grande importância em nossa história; tanto de nós, do Conexões Clínicas, como de outros colegas da psicologia. Me lembro bem quando tivemos nosso primeiro contato, quando ela apareceu para dar o último semestre de psicanálise, ainda na graduação. Ela foi cativante desde o início: uma mulher linda, serena, delicada, extremamente cuidadosa ao se dirigir ao outro, escutava atentamente a todos. Não demorou para criarmos uma boa afinidade com ela, e logo estávamos planejando fazer um grupo de estudos que ela coordenaria, com amigos próximos.

Foram deliciosos encontros, que se estenderam por sete anos; íamos em seu consultório, às vezes em sua casa, onde ela nos ajudava generosamente. Ela conseguia fazer o estudo de Lacan ser algo leve, talvez por poder nos conduzir por atalhos, dando muita coisa “mastigada” para nós, como uma mãe faz; ou talvez fosse por conseguir extrapolar a teoria, nos brindando com exemplos de sua vasta experiência clínica. Ela falava com tanto entusiasmo de seus pacientes autistas, sensível aos menores sinais de evolução da criança.  Isto sem mencionar as articulações que fazia com o I Ching, que ela tanto gostava e conhecia, falando sobre a importância da respiração, da meditação, do acaso e da impermanência, sempre em um tom de voz baixo, humilde e preciso. Quando levávamos as ideias da esquizoanálise para o grupo de estudos, Silvana nos estimulava a pensar ainda mais, a ir mais a fundo; chegou até a organizar uma palestra para nos ajudar no assunto. Ao longo desse período, pudemos estreitar os laços e compartilhar muitas histórias de vida. Um carinho enorme que nutríamos por ela e vice-versa.

Silvana foi também nossa supervisora. Era aquela espécie de mestre a quem se recorre, alguém que está disponível para lhe ajudar de modo ético, generoso e alegre. Não é possível dizer da sua importância com palavras. Não estaríamos aqui se não fosse por ela. Silvana acompanhava todos os momentos especiais de nossas vidas, desde a entrega do diploma em psicologia, o casamento de um de nós, na banca da dissertação do mestrado, até o nascimento de um filho;  pedíamos conselhos, e ela nos incentivava a ser sempre melhores. Silvana nos acolheu como estudantes, amigos, parceiros, filhos, tudo meio misturado. Uma luz que passou por nós e que servirá de inspiração para seguirmos nossas vidas.

Vai ser muito difícil não tê-la mais por perto. Sua presença será muito sentida, e deixa uma sensação ambivalente de que aproveitamos muito de sua compainha, mas que ainda tínhamos muito o que desfrutar…

 

Muito obrigado por tudo, Sil!

 

Bruno Mangolini, Tomás Bonomi e Bruno Espósito.

 

 

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3 comments on “– À querida Silvana Rabello

  1. Elissa disse:

    Emocionante a escrita e o reconhecimento. Diz muito sobre vocês também pessoas lindas, profissionais comprometidos e engajados.

    Lamento a perda!

  2. Renato Udler Cromberg disse:

    Que tocante! Ajudou muito no meu pesar! Que sua luz continue a brilhar em vocês!

  3. Beatriz Judith Lima Scoz disse:

    Não a conheci, mas nesse depoimento reconheço uma pessoa sensível, afetiva, com ” delicadeza de Alma” como, a meu ver, devem ( ou deveriam) ser todos os psicanalistas