– Futebol e Psicose: a história de um time.

 

Como uma das atividades de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), realizamos um grupo de futebol. Semanalmente pegamos um ônibus para o Centro Educacional Unificado (CEU) da região, onde temos reservado o uso de uma quadra. O deslocamento favorece o exercício da cidadania, o ganho de autonomia e a apropriação do espaço público, muitas vezes negados aos pacientes graves.

O vídeo acima foi feito por Agnaldo Bartho, que registrou – com autorização dos pacientes – momentos dos “treinos” e da Copa da Inclusão.

Qual a importância de se jogar futebol em um tratamento de saúde mental? Pode parecer pouco, mas por detrás desta simples atividade, muita coisa pode acontecer em prol do tratamento. Através de um grupo que se reúne para praticar futebol, é possível ampliar a oferta de elementos de identificação que servem como apoio psíquico. O pertencimento a um grupo, de preferência que suporte as angústias próprias da psicose, é capaz de diminuir a incidência de episódios disruptivos.

Os quadros psicóticos possuem aspectos que ganham evidência durante um jogo de futebol. Por exemplo, muitos pacientes estabelecem uma relação singular e não compartilhada com as regras do jogo e com a própria realidade.  Apesar dessas dificuldades, com o tempo  notamos uma interação e organização crescentes. Tabelas, lançamentos, marcação, noção de posicionamento, um maior “entrosamento” entre eles… uma equipe foi se formando.

Outro aspecto interessante que percebemos foi como o desempenho no futebol pode refletir  aspectos da organização psíquica do sujeito. Recentemente, um paciente que costumava jogar muito bem, passou a ficar desatento,  mais lento e a interagir menos com os outros jogadores. Duas semana depois, ele entrou em crise. Isto nos mostrou que o futebol pode ser um indicador auxiliar no acompanhamento dos pacientes.

 

Bruno Mangolini

bola futebol

 

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