Homenagem a Manoel Tosta Berlinck (27/05 no CEP).

No meio acadêmico, Manoel Berlinck era muito conhecido,  mas talvez a maioria de vocês nunca tenha ouvido falar dele. Seu currículo é extenso, com destaque para seu importante papel na sociologia como professor na Unicamp e FGV,  e na psicanálise como clínico e cofundador – ao lado de Pierre Fedida – de uma grande área de pesquisa chamada Psicopatologia Fundamental.

A associação universitária de pesquisa em Psicopatologia Fundamental compõe diversos grupos de pesquisadores espalhados pelo Brasil e por alguns outros países do mundo, tais como Chile, Argentina, México, Portugal, França e etc. Manoel foi presidente desta instituição até os últimos dias de sua vida, um presidente apaixonado e orgulhoso,  que a tratava como um filho.

Dentre os diversos feitos da associação está a realização de diversos congressos internacionais de psicopatologia fundamental, o último realizado em João Pessoa – logo após o seu falecimento – e a edição da Revista latino-americana de Psicopatologia Fundamental, referência no meio psicanalítico.

No extinto laboratório de psicopatologia fundamental da Universidade PUC-SP, orientou mais de 85 teses e dissertações de doutorado e mestrado ao longo de 21 anos. Foi lá que o conheci e convivemos de perto por apenas 3 anos. No epicentro da academia, o laboratório de psicopatologia fundamental surgia, pelo menos para mim, como um oásis, pois não só permitia como incentivava a produção de conhecimento científico através do trabalho clínico. O professor Manoel parecia desafiar a lógica acadêmica quantitativa para dar lugar a um oxigenado espaço de pensamento e discussão, onde conviviam diversas vertentes da psicanálise e outras disciplinas do conhecimento.

O editorial da última edição da Revista Latino-americana de PsicopatolCapa Latino set 2016ogia Fundamental foi escrito por seu amigo Plínio Prado. Recomendo fortemente a leitura do belo texto: “Ao Manoel Berlinck que eu conheci“.

Esta mesma edição contém uma interessante entrevista com Elisabeth Roudinesco, realizada pela psicanalista Betty Milan. A entrevista gira em torno da biografia de Freud, recém escrita pela autora francesa.

Ainda nesta edição da revista, encontra-se um artigo de quem vos escreve em co-autoria com o Professor Manoel Berlinck – “O Mau cheiro como estratégia de sobrevivência” – derivado de minha dissertação de mestrado.

Além de exímio professor e orientador, Manoel era amante das artes e do futebol. Assuntos pelos quais tivemos animadas conversas e identificações. Certa vez o convidei para irmos assistir um jogo no Morumbi, ele titubeou um pouco, mas disse que iria sim. Não deu tempo.

Já perto do fim de minha dissertação, nasceu minha primeira filha, e assim conheci um pouquinho de uma faceta avô de Manoel…

Em meio a uma de nossas últimas conversas por e-mail na qual discutíamos os detalhes da publicação de um artigo, me surpreende com a seguinte mensagem:

“Querido Tomás, compensando a derrota de 2 X 1 do SPFC diante do pífio Ceará, envio um presente.Vale a pena ver num dia longe de todos. É longo, mas muito legal. 29/06/1958 foi um dia inesquecível, um domingo dia de São Pedro com muito sol e os céus  repletos de balões …… O time da Suécia deu trabalho. Naquela época só rádio e com transmissão com muito chiado, televisão nem pensar embora já existisse, mas o jogo só podia ser assistido parcialmente por filme uma semana depois. Portanto, esse filme do jogo inteiro é sem dúvida um trabalho notável …”.

Obrigado por tudo Manoel!

Por fim, gostaria de convidar o leitor que se interessar em conhecer um pouco mais sobre a vida e obra de Manoel T. Berlinck a participar do colóquio em sua homenagem.mtb2

 

Tomás Moraes Abreu Bonomi 

 

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