– Sugestão de leitura: O Demônio do Meio-dia (Andrew Solomon)

Andrew Solomon era um promissor escritor nova-iorquino quando foi acometido por seu primeiro
episódio depressivo. Pequenos gestos como levantar da cama, se alimentar ou manter relações sociais tornaram-se solomondesafios praticamente intransponíveis para Solomon, atormentado por pensamentos auto-inquisidores e um afeto sombrio. No doloroso dilema entre vida e morte, sua trajetória teve uma virada absoluta: ao invés de ser engolido pela depressão, tornou-se um grande conhecedor dela, o que deu origem a seu primeiro best-seller: “O demônio do meio-dia” (Cia. das Letras, 2ª ed., 2014).

Em quase 600 páginas de uma escrita cativante e mobilizadora, Solomon intercala sua trajetória pessoal com entrevistas de pacientes, relatos antropológicos, citações de escritores deprimidos como Virgínia Wolff, e conceitos abstratos de neurociências e psicofarmacologia. A maneira como o autor transita entre abordagens científicas, históricas, estéticas, político-sociais, entre outras, permite-o ao final reconhecer a sobredeterminação da depressão, ou seja, suas múltiplas causalidades e meios de expressão.

Solomon não reduz nem simplifica a depressão; pelo contrário, ele mergulha a fundo em sua complexidade, contrariando a banalização existente nos dias de hoje, visto que o termo “depressão” é usado de maneira não criteriosa, seja por leigos ou profissionais, querendo dizer tudo e nada ao mesmo tempo.

DemonioCabe destacar as instigantes experiências antropológicas vividas e descritas pelo autor, como a cerimônia ndeup de tribos no Senegal, um complexo ritual para exorcizar o “demônio” da depressão, e sua imersão na vida comunitária e familiar de um pequeno povoado na inóspita Groenlândia, onde a doença mental é encarada de um modo bastante peculiar.

Caso queira aproximar-se previamente do pensamento do autor, Andrew Solomon esteve na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) para lançar a segunda edição do livro; abaixo é possível acompanhar o áudio completo de sua palestra.

Bruno Espósito, Bruno Mangolini e Tomás Bonomi

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