Supervisão em Acompanhamento Terapêutico

O trabalho junto a pacientes psiquiátricos, que constituiu o primeiro campo de trabalho do AT, hoje está mais amplo e complexo. Tal profissional é solicitado em contextos escolares através dos projetos de inclusão, em trabalho com dependentes químicos que estão saindo ou evitando internações, ao lado de pacientes idosos lidando com a solidão e as limitações, e de forma geral atendendo diversas demandas de tratamento que não se adequam aos modelos tradicionais de terapia.

Uma das particularidades da clínica do AT é a própria complexidade dos casos atendidos, pois exigem cuidados significativos e em diversos momentos podem haver situações complexas quanto ao manejo transferencial; a complexidade diz respeito também aos diferentes personagens envolvidos no caso, tal como os familiares, professores e outros terapeutas. O AT frequentemente tem a responsabilidade de “costurar” diferentes pontos de vista, abordagens, demandas, etc., e formular com isso tudo um projeto terapêutico integrado.

O desafio de conciliar os diferentes olhares e expectativas em relação ao tratamento, a ausência do enquadre tranquilizador do consultório, bem como a própria gravidade dos casos, colocam o AT em um lugar delicado, frequentemente gerando-lhe questões que precisam ser discutidas e exploradas. Oferecemos ao acompanhante terapêutico, em especial aquele no início de sua trajetória, um espaço de supervisão que acolha e ajude a construir caminhos para as questões suscitadas.

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One comment on “Supervisão em Acompanhamento Terapêutico

  1. Thiago says:

    Caros, entre todos os bons textos que li aqui, gostei demais desse. Mais do que predileção pelo estilo, minha aproximação veio pelo tema. O AT ainda é um saber à procura de éticas, de princípios básicos, apesar de sua prática já ter densa consistência. Acho que a supervisão é a primeira delas: qual supervisão, por quem, qual o foco, etc e tal? Há AT psicanalistas e outros tantos, e vale-se pensar nessas práticas todos díspares e interessantes. A solidão desses difíceis trabalhos conduz o profissional à insegurança e ao apego às verdades pouco conflituosas e, por isso, pouco subjetivantes.
    Parabéns pelo blog, pelos textos e temas.
    Thiago