– Vídeo Game: até que ponto?

video games

Jogar video game faz cada vez mais parte do cotidiano das crianças e adolescentes. Os avanços tecnológicos permitiram o desenvolvimento de  games impressionantes, com gráficos extremamente realistas e possibilidades de jogos on-line e multiplayer, que oferecem muita interatividade entre os jogadores. Atraídos, os jovens parecem muitas vezes “hipnotizados” com os jogos, e encontrar limites é uma tarefa dificil para os familiares.

Com frequência, escutamos pais e professores com os seguintes questionamentos:  qual é a medida de tempo saudável para se jogar? Video game causa dependência? Jogos violentos influenciam a personalidade do jogador, inclusive levando-o a cometer atos violentos?

A partir de tais perguntas, resolvemos trazer alguns dados e reflexões que possam ajudar tanto os pais como os jovens a pensar e tomar decisões frente a esse fenômeno novo e desafiador.

Por que jogamos Video Game?

Nos jogos experimentamos emoções que não conhecemos no dia a dia. Como nas brincadeiras de faz de conta, vivemos através de personagens (avatares) situações fantásticas. O Virtual nos proporciona vivenciar estas situações e voltamos para a realidade quando desligamos o aparelho.

Aspectos benéficos dos jogos:

  • Os jogos estimulam as funções de atenção, principalmente a visão.
  • Desenvolvem o pensamento através da solução de enigmas e a gestão de diversas tarefas ao mesmo tempo.
  • Cada vez mais cresce o mercado de trabalho dos games, atualmente existem algumas profissões neste campo, além de cursos de graduação e pós graduação.

Os jogos geram violência? menino viciado

Os jogos, por si só, não geram violência. Um adolescente que joga muito um jogo que simula guerras não será simplesmente influenciado a comprar uma arma e sair atirando em pessoas. No entanto, em determinados contextos problemáticos em que as relações interpessoais estão muito frágeis e/ou violentas, onde há uma sensação de vazio afetivo muito grande, o jovem que joga por períodos muito longos pode vivenciar uma confusão entre real e virtual. Porém, são casos muito raros em que isso ocorre. Um fenômeno mais comum são os jovens que se refugiam de situações que lhes causam ansiedade e medo jogando videogame. No jogo encontramos uma segurança que não temos na realidade. Não é raro encontrar adolescentes que preferem estar em casa jogando do que enfrentar os desafios que as relações sociais lhes impõem.

mouse enrrolado na mão

Quando devo me preocupar se estou passando tempo demais no Computador e Video Game?

 Segue uma lista de perguntas que devemos fazer para que possamos tentar identificar qual é o lugar que os jogos digitais estão ocupando em nossas vidas. A partir das respostas a criança, adolescente ou adulto podem ter uma melhor noção dos efeitos que tal prática produz em sua vida.

  • Você sente necessidade de usar a internet e os jogos digitais por períodos de tempo cada vez maiores?
  • Você já tentou diminuir o tempo na frente do computador e videogame, mas não conseguiu?
  • Você já mentiu para familiares para esconder quanto tempo você estava jogando?
  • Você já deixou de fazer tarefas ou atividades que gosta por não conseguir se desconectar ou parar de jogar?

Se muitas dessas respostas forem sim, pensamos ser importante realizar uma reflexão acerca do momento atual em que vive e sobre as possíveis razões pelas quais os jogos ocuparam um lugar tão central na vida desta pessoa. Conversas com os pais e professores podem ser benéficas e, se necessário, a ajuda de um profissional pode ser buscada.

 A seguir apresentamos uma reportagem de uma tevê inglesa. No vídeo é retratado um garoto que faz um uso excessivo e complicado do jogo multiplayer online “World Of Warcraft” no computador. O nosso objetivo com este vídeo é dar um exemplo de um lugar bastante patológico que um jogo pode assumir na vida de uma pessoa.  Fazemos algumas ressalvas sobre este vídeo. Primeiramente ele não tem nenhum compromisso em ser científico, há somente um recorte da história do menino, não sabemos nada sobre sua vida passada, suas relações familiares, o contexto em que vive e etc… Quem assiste, pode ser levado a conclusão de que o jogo por si só provocou toda a situação complicada em que o menino se encontra, quando, na verdade é justamente outro ponto que esta matéria propõe. Além desta ressalva, também gostaríamos de ressaltar que  não concordamos com alguns apontamentos da psicóloga entrevistada. Apesar disso, achamos interessante mostrá-lo, pois trata-se de imagens e relatos fortes sobre o tema que estamos tratando.

 Conclusão: É a função do uso, o lugar que os jogos ocupam em sua vida, e não apenas a quantidade de tempo que passamos jogando que torna o uso das mídias e Jogos digitais algo excessivo e problemático.

Por último mostramos um vídeo em que o psicanalista Tomás Bonomi, integrante do Conexões Clínicas, faz uma palestra nas unidades do colégio Pentágono sobre o tema discutido aqui. Este trabalho serve de exemplo para os leitores deste blog que quiserem saber melhor sobre o item Consultoria Escolar.

Bruno Mangolini, Bruno Espósito e Tomás Bonomi

Fontes:

• “Dependência de internet, manual e guia de avaliação de tratamento”. Kimberly Young, Cristiano Nabuco de Abreu & Cols. Editora artmed, 2011

• “Qui a peur de jeux video?” (Quem tem medo de video game?). Serge Tisseron. Editions Albin Michel, 2008.

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