Talvez você já tenha escutado adolescentes ou pessoas particularmente interessadas no mundo da internet comentarem a respeito de uma tal de deepweb (internet profunda). O tema é intrigante, cheio de polêmicas e costuma despertar uma tremenda insegurança ao imaginarmos os efeitos práticos que essa rede subterrânea pode provocar em nossas vidas.

A deepweb corresponde à todo o conteúdo da internet que não pode ser acessado pelos meios aos quais nos habituamos, como os navegadores Chrome e Explorer, ou pelos sites de busca convencionais como o Google ou o Yahoo. Para acessá-la é preciso um navegador apropriado (Tor) e a utilização de códigos específicos, de modo que tanto seu computador quanto o site acessado mantenham-se criptografados. Essa complexidade de acesso, que também pode envolver um certo risco para amadores, acaba restringindo bastante seu público e deixando o “cidadão comum” alienado da existência desse gigantesco mundo subterrâneo.

Enquanto que na superfície da internet as autoridades (ou mesmo o Google, o YouTube e o Facebook) agem retirando conteúdos impróprios e denunciando violações de direitos autorais, na deepweb encontra-se de tudo. Uma infinidade de livros e músicas para baixar gratuitamente, páginas de militância política de países com forte censura (como China e Venezuela), documentos governamentais secretos (a WikiLeaks de Julien Assange começou ali), um livre comércio de armas, drogas ou documentos falsificados e, por fim, a pornografia está colocada em todos os níveis e formas, inclusive pedofilia. Como abriga desde conhecimento e militância política até práticas francamente criminosas, os internautas mais familiarizados com a deepweb costumam dizer que em si ela não é boa nem má, depende do uso que cada pessoa faz dela.

A maioria dos sites que falam da deepweb costumam usar dois exemplos para defini-la:

  1. A world wide web (www), internet que usamos habitualmente, corresponde somente à ponta do iceberg, cuja grandeza verdadeira se encontra abaixo da superfície. Quanto mais profundo se acessa, mais perigoso e obscuro se torna, até o limite da darkweb.
  2. A superfície da web corresponde à no máximo 10% e a deepweb à 90% de toda a internet.

deepwebQuem é um pouco familiarizado com as ideias de Sigmund Freud talvez tenha, assim como nós, pensado num possível paralelo entre o inconsciente e a deepweb, reparando nas semelhanças de funcionamento dos mundos virtual e psíquico. Em linhas gerais, como seria este paralelismo?

Para aqueles que querem “viajar” mais no tema da deepweb e pensar quais os seus efeitos sobre a nossa vida emocional e social hoje, seguem algumas sugestões:

TED da deepweb (em inglês):

Bom panorama geral da deepweb (em inglês):

Trailer do documentário “Deep Web” (2015), disponível no NetFlix, filme que mostra as controvérsias éticas na caça por parte do governo norteamericano de um importante internauta da deepweb:

Bruno Espósito, Tomás Bonomi e Bruno Mangolini.

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